quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

MEU DEUS, ESSA DOR CANALHA / VAI ACABAR ME MATANDO!.

Não tem hora nem local
Certo, pra que ela ataque:
Me levanta, dá-me um baque,
Me deixa bem, deixa mal.
Essa dor descomunal
Me maltrata me curando,
Se penso que está passando
Me corta como navalha.
MEU DEUS, ESSA DOR CANALHA
VAI ACABAR ME MATANDO!


Campina Grande, julho de 2010.

SOU EU

Sou eu, esse ser sofrido
Que não tem ressentimento;
Que pra você no momento
Se passa despercebido.
Mas lembre que tenho sido
Nas noites de nostalgias
Quem faz as suas poesias
E quando você precisa
Sou eu quem lhe realiza
Suas doces fantasias.


Campina Grande, setembro de 2011.

Uma décima

A natureza lhe fez
Além de uma bela rosa,
Talhada pra ser teimosa,
Com punho e com altivez.
Ninguém toma a sua vez;
Domá-la ninguém se atreve,
Açoitá-la ninguém deve
Porque sua força é farta.
Não há raio que a parta
Nem enchente que lhe leve.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

DOCE ORVALHO

Ó, chuva pretensiosa,
Que surgindo ao meio dia
Desce cautelosa e fria
Querendo orvalhar a rosa.
Esqueces que ela, viçosa,
Desde o berço floresceu...
E com o dom que Deus lhe deu,
Ao abrir-se à meia luz
A minha rosa produz
Orvalho melhor que o teu!

Campina Grande, maio de 2009.

AOS FUMANTES

                                        Versos soltos



Vocês providências tomem
Pois, o fumo que consomem,
Além de matar o homem,
Perturba a fauna e a flora!
Sendo assim, fumante, suma!
Que eu não vou de forma alguma
Fumar porque você fuma,
Por favor, FUME LÁ FORA!

Um agente como você,
Desculpe-me ter que dizer,
Envenena sem querer
O ambiente onde mora!
Seu cigarro é um abalo.
Não vou poder aceitá-lo;
Se não puder apagá-lo
Por favor, FUME LÁ FORA!

Se entender-me, amiguinho,
Não vai faltar-lhe carinho,
Não vou deixá-lo sozinho,
Tampouco mandá-lo embora.
Quão grande é o globo terreno...
Você vem soltar veneno
Neste espaço tão pequeno,
Por favor, FUME LÁ FORA!

O folclore está morrendo,
O nordestino esquecendo
As crendices e, assim sendo,
Caiu de moda a “caipora”.
Fumo não tem mais sentido!
Por isto faço um pedido:
Não fume aqui, escondido,
Por favor, FUME LÁ FORA!

(Alfrânio)

MEUS OLHOS SÃO DANÇARINOS / QUANDO TU PASSAS GINGANDO

Quando tu passas “sacana”
Defronte a minha janela,
Eu percebo o quanto bela
Tu és, doce alagoana.
A minha verve cigana
Explode manifestando
O que estou vivenciando
Esquecendo os desatinos,
MEUS OLHOS SÃO DANÇARINOS
QUANDO TU PASSAS GINGANDO.

Morena, tu não tens pena
De um par de olhos que dança;
Que tenta, mas não te alcança;
Que te deseja, morena!
Que quanto mais ver a cena
Mais a cena vai buscando.
E mesmo a cena encontrando
Não procura outros destinos,
MEUS OLHOS SÃO DANÇARINOS
QUANDO TU PASSAS GINGANDO.

Te vendo ao sol, em revés
Eu fico desconfiado:
Não sei se teu rebolado
Vem da quentura nos pés!
Mas, sabendo quem tu és
Vou a suspeita afastando.
Nem mesmo o sol te queimando
Mudava os dotes divinos!
MEUS OLHOS SÃO DANÇARINOS
QUANDO TU PASSAS GINGANDO.

Não vês que teu rebolado
Mexe com minha estrutura,
Me deixa com a vista escura,
Tonto, sem voz e parado!
Fica um zumbido danado
Nos meus ouvidos zoando,
Ficam os sons se misturando:
Toco harpa e ouço sinos.
MEUS OLHOS SÃO DANÇARINOS
QUANDO TU PASSAS GINGANDO.

Meus olhos são dois faróis
Que vivem te iluminando,
Por conseqüência, espiando
Sob e acima dos lençóis.
Dois holofotes, dois sóis,
Duas fogueiras queimando.
Mas só em vê-la passando:
Dois lesos, dois peregrinos!
MEUS OLHOS SÃO DANÇARINOS
QUANDO TU PASSAS GINGANDO.


Campina Grande, 26 de março de 2009.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

SONETO DO REGRESSO

Nunca mais falaremos em partir...
Eis-me aqui aos teus pés, arrependido,
Na angústia cruel de ter partido,
De voltar por não ter aonde ir.

Dê-me a mão outra vez, vamos seguir...
Nesse orbe, em lugar nos prometido,
Viveremos da luz do amor vivido,
Na promessa dos brilhos do porvir.

Não te trago as agruras da viagem,
Não conduzo as lembranças da paragem,
Dessa treva que fez-nos conduzir

Pela perpetuação desta semente.
- Pelos filhos, por nós, daqui pra frente
Nunca mais falaremos em partir.

Campina Grande, 12 de outubro de 2010.