Hoje passa faceira na calçada
A mulher que já foi tempos de outrora
Minha doce paixão, minha senhora,
Meu amor, minha amante e namorada.
Em que pensa ao passar? Talvez em nada...
Nada há que ela possa reviver?
Esquecer o que fomos, pode ser,
Posso até aceitar que disto esqueça,
Mas me dói vê-la baixar a cabeça...
Neste gesto, fingindo não me ver.
Campina Grande, 14 de abril de 2009.
terça-feira, 14 de abril de 2009
segunda-feira, 13 de abril de 2009
UMA DÉCIMA
Eu canto porque cantando
É que encanto a minha vida,
Dou uma contrapartida
A quem quer me ver chorando.
E pouco vou me lixando
Se a vida está boa ou ruim...
Vou de peito aberto assim
Pra forca, cantarolando,
Mesmo a corda me apertando
Vou cantando até o fim!
Campina Grande, abril de 2009.
É que encanto a minha vida,
Dou uma contrapartida
A quem quer me ver chorando.
E pouco vou me lixando
Se a vida está boa ou ruim...
Vou de peito aberto assim
Pra forca, cantarolando,
Mesmo a corda me apertando
Vou cantando até o fim!
Campina Grande, abril de 2009.
terça-feira, 31 de março de 2009
PÁSSARO FERIDO
Canário, que trila ardente
No galho da goiabeira,
A tua musa altaneira
Também trila de contente.
Os dois, juntinhos, somente
Tomam conta do festim.
Comigo já foi assim...
Hoje estou neste fadário:
A minha musa, canário,
Não quer mais cantar pra mim.
Vivo cantando sozinho
Sem escutar sua voz,
Pois quis o destino atroz
Que ela abandonasse o ninho.
Me responda, canarinho:
Aonde foi que eu errei?
Será que desafinei
No meu canto desvairado
Tanto assim, que perdoado
Por ela eu não mais serei?
Será que o meu pecado
Por menor que parecesse
Foi tanto que eu merecesse
Por ela ser desprezado?
Será que meu malfadado
Destino é viver sem ela?
Tomara que esta procela
Não vigore e tenha fim!
Fica penoso pra mim
Ter que cantar longe dela.
Me diga onde agora voa
Tão faceira, tão frajola.
Pois pra prendê-la em gaiola
Não existe uma pessoa.
Você, que vagueia à toa
Singrando esses céus a fora
Lhe implore que volte agora
Pois, se já cantei errado,
Fiquei mais desafinado
Depois que ela foi embora.
Tu que cantas nas alturas
Com pureza e sem desdém,
Com a grandeza de quem
Ignora partituras,
Vê se abranda as amarguras
Por que passa o trovador.
Ide à busca, por favor,
Porque sem ela, a dueto,
Me sinto igual assum preto:
Cego e cantando de dor!
Por isto, meu amiguinho,
Peço pela última vez:
Desfaça o que ela me fez,
Não queira me ver sozinho.
Tome o mais breve caminho
Voando ou cortando a mata,
Vá pedir àquela ingrata
Que do orgulho se solte,
Esqueça as mágoas e volte
Senão essa dor me mata...
Campina Grande, 31 de março de 2009.
No galho da goiabeira,
A tua musa altaneira
Também trila de contente.
Os dois, juntinhos, somente
Tomam conta do festim.
Comigo já foi assim...
Hoje estou neste fadário:
A minha musa, canário,
Não quer mais cantar pra mim.
Vivo cantando sozinho
Sem escutar sua voz,
Pois quis o destino atroz
Que ela abandonasse o ninho.
Me responda, canarinho:
Aonde foi que eu errei?
Será que desafinei
No meu canto desvairado
Tanto assim, que perdoado
Por ela eu não mais serei?
Será que o meu pecado
Por menor que parecesse
Foi tanto que eu merecesse
Por ela ser desprezado?
Será que meu malfadado
Destino é viver sem ela?
Tomara que esta procela
Não vigore e tenha fim!
Fica penoso pra mim
Ter que cantar longe dela.
Me diga onde agora voa
Tão faceira, tão frajola.
Pois pra prendê-la em gaiola
Não existe uma pessoa.
Você, que vagueia à toa
Singrando esses céus a fora
Lhe implore que volte agora
Pois, se já cantei errado,
Fiquei mais desafinado
Depois que ela foi embora.
Tu que cantas nas alturas
Com pureza e sem desdém,
Com a grandeza de quem
Ignora partituras,
Vê se abranda as amarguras
Por que passa o trovador.
Ide à busca, por favor,
Porque sem ela, a dueto,
Me sinto igual assum preto:
Cego e cantando de dor!
Por isto, meu amiguinho,
Peço pela última vez:
Desfaça o que ela me fez,
Não queira me ver sozinho.
Tome o mais breve caminho
Voando ou cortando a mata,
Vá pedir àquela ingrata
Que do orgulho se solte,
Esqueça as mágoas e volte
Senão essa dor me mata...
Campina Grande, 31 de março de 2009.
domingo, 22 de março de 2009
DO NADA PARA O ETERNO
Para uma musa que verseja...
Outra vez desligaste o celular...
E um silêncio gritante me fulmina!
Eu me flagro a sair sem disciplina,
Como um louco na rua a te buscar.
Mais um trailer, um boteco, mais um bar...
E a certeza cruel se descortina:
Não existe nas ruas de Campina
Mais um ponto onde eu possa te encontrar...
Se te escondes de mim, não tens motivo!
É, querer sepultar-me ainda vivo,
Sepultar-se também, inconsciente...
Seguiremos, por fim, a mesma meta!
Se não sabes, a sina do poeta
É morrer pra viver eternamente!
Campina Grande, 20 de março de 2009.
Outra vez desligaste o celular...
E um silêncio gritante me fulmina!
Eu me flagro a sair sem disciplina,
Como um louco na rua a te buscar.
Mais um trailer, um boteco, mais um bar...
E a certeza cruel se descortina:
Não existe nas ruas de Campina
Mais um ponto onde eu possa te encontrar...
Se te escondes de mim, não tens motivo!
É, querer sepultar-me ainda vivo,
Sepultar-se também, inconsciente...
Seguiremos, por fim, a mesma meta!
Se não sabes, a sina do poeta
É morrer pra viver eternamente!
Campina Grande, 20 de março de 2009.
sexta-feira, 6 de março de 2009
SÓ DEUS SABE O QUE EU SINTO / QUANDO A VEJO DOENTE!
(À minha Musa – quando numa “enfermidade”)
Vê-la sorrindo e cantando,
Como comumente a vejo,
É vê na vida um lampejo
Que vai se proliferando,
E segue contaminando
A quem estiver presente.
Mas vendo-a assim, descontente,
Dói-me n’alma e no instinto.
SÓ DEUS SABE O QUE EU SINTO
QUANDO A VEJO DOENTE!
Seu humor contagiante,
Sua altivez, sua graça,
Seu jeito de boa-praça,
Seu fervoroso semblante;
Seu otimismo constante,
Seu sorriso incontinente,
Não podem ser diferente
Porque, pra lhe ser sucinto,
SÓ DEUS SABE O QUE EU SINTO
QUANDO A VEJO DOENTE!
Quem dera, meu Deus, que um mal
Nunca lhe acontecesse;
Que nunca empalidecesse
Sua face angelical.
Violando o natural
Que Deus pintou, certamente,
E, de gosto, um riso ausente
Nem Ele pinta ou eu pinto.
SÓ DEUS SABE O QUE EU SINTO
QUANDO A VEJO DOENTE!
Também sei que a “enfermidade”
Pela qual está passando
É bem menor do que quando
Alguém lhe nega a verdade.
Se a contrariedade
É pra você deprimente,
Prometo: daqui pra frente
Nem a pedido eu lhe minto!
SÓ DEUS SABE O QUE EU SINTO
QUANDO A VEJO DOENTE!
Se lhe dei algum motivo
Para abrir seu apetite,
Faço-lhe agora um convite
Em forma de lenitivo:
Vamos escutar “ao vivo”
Um cantador de REPENTE,
Naquele lugar da gente,
Tomando um bom vinho-tinto.
SÓ DEUS SABE O QUE EU SINTO
QUANDO A VEJO DOENTE!
Campina Grande, 05 de março de 2009
Vê-la sorrindo e cantando,
Como comumente a vejo,
É vê na vida um lampejo
Que vai se proliferando,
E segue contaminando
A quem estiver presente.
Mas vendo-a assim, descontente,
Dói-me n’alma e no instinto.
SÓ DEUS SABE O QUE EU SINTO
QUANDO A VEJO DOENTE!
Seu humor contagiante,
Sua altivez, sua graça,
Seu jeito de boa-praça,
Seu fervoroso semblante;
Seu otimismo constante,
Seu sorriso incontinente,
Não podem ser diferente
Porque, pra lhe ser sucinto,
SÓ DEUS SABE O QUE EU SINTO
QUANDO A VEJO DOENTE!
Quem dera, meu Deus, que um mal
Nunca lhe acontecesse;
Que nunca empalidecesse
Sua face angelical.
Violando o natural
Que Deus pintou, certamente,
E, de gosto, um riso ausente
Nem Ele pinta ou eu pinto.
SÓ DEUS SABE O QUE EU SINTO
QUANDO A VEJO DOENTE!
Também sei que a “enfermidade”
Pela qual está passando
É bem menor do que quando
Alguém lhe nega a verdade.
Se a contrariedade
É pra você deprimente,
Prometo: daqui pra frente
Nem a pedido eu lhe minto!
SÓ DEUS SABE O QUE EU SINTO
QUANDO A VEJO DOENTE!
Se lhe dei algum motivo
Para abrir seu apetite,
Faço-lhe agora um convite
Em forma de lenitivo:
Vamos escutar “ao vivo”
Um cantador de REPENTE,
Naquele lugar da gente,
Tomando um bom vinho-tinto.
SÓ DEUS SABE O QUE EU SINTO
QUANDO A VEJO DOENTE!
Campina Grande, 05 de março de 2009
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
MEU GRANDE AMIGO JOSÉ
Carta a "Zé de Lenita" no Iraque - 1985
Visitei, no mês “trasado”
O velho Sítio Degredo
E senti que tinha errado
Por não ter ido mais cedo.
Não sei se já estás sabendo
Mas Degredo está chovendo
Água, ouro e alegria
E, enquanto eu não me esqueço,
José, o teu endereço
Peguei com Antonio e Titia.
Resolvi dar-te umas linhas
Já que aí estás sozinho,
Para dar notícias minhas,
Da família e de Brejinho.
Eu já ando em outros trilhos,
Já sou “papai” de dois filhos:
Um já anda, o outro não;
Antonio tem uma menina,
Mora aqui mesmo, em Campina,
Mas vai sempre ao sertão.
Vão bem aqui mãe e pai
Vivendo como Deus quer;
O “Mite”, no Rio, vai
Muito bem com a mulher.
Ana, Artemízia, Altair,
Arlete, Adjayr,
Albânia e Nenê - em paz,
E as famílias lá por fora
Vão bem, porque até agora
Não nos reclamaram mais.
Em Degredo, ano passado,
Todo mundo lucrou bem:
Deu pro gasto, deu pro gado.
E deu pra vender também.
Não secou mais um açude,
O gado tem mais saúde,
Com mais água e mais comida;
Este ano começou
Bem, como o que se passou:
Já tem lavoura crescida.
Você precisa voltar
A viver conosco aqui;
Rever a mulher mandar
Nos troços de Valdemir;
Bastião mijar na cama,
Zé Delfino e sua fama,
Cherito e sua cachaça:
Com a cara cínica, sorrindo,
Encher o “talo” em Arlindo,
E chorar roendo na praça.
Você precisa voltar
A viver conosco aqui,
Vê Antonio Gago jogar,
Vê os versos de Zizi;
Matar a velha saudade
Em Placa de Piedade,
No jogo de futebol.
O gelo não dá saúde,
Venha pra beira do açude
Pras velhas manhãs de sol!
Você precisa voltar
A viver conosco aqui,
Pra comer o mungunzá
Com tripa, bucho, e sair...
Ir lá, na mina de ouro,
Ver a casaca-de-couro
Cantar nas manhãs de sol.
Pra ver as flores se abrindo,
Parecendo estar sorrindo
Ao canto do rouxinol.
Você precisa voltar
As viver conosco aqui,
Ir ao baixio e chupar
Uma manga bacuri.
Chupar uma cana fria
E às dez horas do dia
Voltar pra casa, sem pressa,
Assar carne sem enfeite,
Comer com cuscuz com leite
E sentir que a vida é essa.
Você precisa voltar
A viver conosco aqui,
Mandar a mulher passar
Ferro na roupa e sair;
Andar até a cidade
E sentir quanta amizade
Ali deixaste plantada,
“Tomar uma” com rolinha,
Voltar pra casa à tardinha
Pra jantar com a filharada.
Aqui vou deixar, José,
As lembranças de um parente.
Peço-lhe: assim que puder
Venha visitar a gente.
Mas, escreva mesmo assim;
Se lembre sempre de mim,
Valdemir, Antonio e Zito.
Do mesmo jeito aqui faço.
Nada mais. Um forte abraço!
ALFRÂNIO GOMES DE BRITO.
Campina Grande – fevereiro de l985.
Visitei, no mês “trasado”
O velho Sítio Degredo
E senti que tinha errado
Por não ter ido mais cedo.
Não sei se já estás sabendo
Mas Degredo está chovendo
Água, ouro e alegria
E, enquanto eu não me esqueço,
José, o teu endereço
Peguei com Antonio e Titia.
Resolvi dar-te umas linhas
Já que aí estás sozinho,
Para dar notícias minhas,
Da família e de Brejinho.
Eu já ando em outros trilhos,
Já sou “papai” de dois filhos:
Um já anda, o outro não;
Antonio tem uma menina,
Mora aqui mesmo, em Campina,
Mas vai sempre ao sertão.
Vão bem aqui mãe e pai
Vivendo como Deus quer;
O “Mite”, no Rio, vai
Muito bem com a mulher.
Ana, Artemízia, Altair,
Arlete, Adjayr,
Albânia e Nenê - em paz,
E as famílias lá por fora
Vão bem, porque até agora
Não nos reclamaram mais.
Em Degredo, ano passado,
Todo mundo lucrou bem:
Deu pro gasto, deu pro gado.
E deu pra vender também.
Não secou mais um açude,
O gado tem mais saúde,
Com mais água e mais comida;
Este ano começou
Bem, como o que se passou:
Já tem lavoura crescida.
Você precisa voltar
A viver conosco aqui;
Rever a mulher mandar
Nos troços de Valdemir;
Bastião mijar na cama,
Zé Delfino e sua fama,
Cherito e sua cachaça:
Com a cara cínica, sorrindo,
Encher o “talo” em Arlindo,
E chorar roendo na praça.
Você precisa voltar
A viver conosco aqui,
Vê Antonio Gago jogar,
Vê os versos de Zizi;
Matar a velha saudade
Em Placa de Piedade,
No jogo de futebol.
O gelo não dá saúde,
Venha pra beira do açude
Pras velhas manhãs de sol!
Você precisa voltar
A viver conosco aqui,
Pra comer o mungunzá
Com tripa, bucho, e sair...
Ir lá, na mina de ouro,
Ver a casaca-de-couro
Cantar nas manhãs de sol.
Pra ver as flores se abrindo,
Parecendo estar sorrindo
Ao canto do rouxinol.
Você precisa voltar
As viver conosco aqui,
Ir ao baixio e chupar
Uma manga bacuri.
Chupar uma cana fria
E às dez horas do dia
Voltar pra casa, sem pressa,
Assar carne sem enfeite,
Comer com cuscuz com leite
E sentir que a vida é essa.
Você precisa voltar
A viver conosco aqui,
Mandar a mulher passar
Ferro na roupa e sair;
Andar até a cidade
E sentir quanta amizade
Ali deixaste plantada,
“Tomar uma” com rolinha,
Voltar pra casa à tardinha
Pra jantar com a filharada.
Aqui vou deixar, José,
As lembranças de um parente.
Peço-lhe: assim que puder
Venha visitar a gente.
Mas, escreva mesmo assim;
Se lembre sempre de mim,
Valdemir, Antonio e Zito.
Do mesmo jeito aqui faço.
Nada mais. Um forte abraço!
ALFRÂNIO GOMES DE BRITO.
Campina Grande – fevereiro de l985.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
FRUSTRAÇÃO
Nunca mais baterei à tua porta
Mendigando a esmola de um carinho.
Sei que é triste demais viver sozinho,
Mas a busca perdida não conforta.
O meu peito cansou, não mais suporta
Ver minh’alma ultrajada, em desalinho.
Possa ser que algum dia em meu caminho
Ressuscite essa chama, agora morta.
Vou buscar no primor da doce lira
Esquecer teu amor, essa mentira
Encravada em meus sonhos submersos.
Preservando os meus dotes naturais:
É melhor que não voltes nunca mais,
Só assim poderei compor meus versos
Campina Grande, novembro de 2008.
Mendigando a esmola de um carinho.
Sei que é triste demais viver sozinho,
Mas a busca perdida não conforta.
O meu peito cansou, não mais suporta
Ver minh’alma ultrajada, em desalinho.
Possa ser que algum dia em meu caminho
Ressuscite essa chama, agora morta.
Vou buscar no primor da doce lira
Esquecer teu amor, essa mentira
Encravada em meus sonhos submersos.
Preservando os meus dotes naturais:
É melhor que não voltes nunca mais,
Só assim poderei compor meus versos
Campina Grande, novembro de 2008.
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