Vou lembrar mamãe agora
De forma branda e singela,
Mesmo porque lembrar ela
Me acontece a toda hora.
Meu peito saudoso chora,
Minh’alma se distancia.
Buscando aquela que um dia
Foi minha melhor parceira,
“A SAUDADE É COMPANHEIRA
DE QUEM NÃO TEM COMPANHIA”.
Lembro-me bem de uma “peia”
Que mãe me deu, no passado,
Por eu pegar um “puxado”
Brincando no pó da areia.
Mas à noite, após a ceia,
Decerto eu descansaria!
Enquanto ela não dormia
Junto à minha cabeceira...
“A SAUDADE É COMPANHEIRA
DE QUEM NÃO TEM COMPANHIA”.
Nesses seus cuidados tantos,
Às vezes se angustiava
Se acaso eu choramingava
Buscando o ar pelos cantos.
Mamãe, já chegando aos prantos,
Me abanava e me cobria.
Que falta eu sinto hoje em dia
Da minha santa enfermeira!
“A SAUDADE É COMPANHEIRA
DE QUEM NÃO TEM COMPANHIA”.
Um dia o destino atroz
Numa triste madrugada
Mostrou-me mamãe deitada
Sem luz nos olhos, sem voz.
Nem permitiu seu algoz
Eu escutar nesse dia
Quem jamais me deixaria
Sem a bênção derradeira.
“A SAUDADE É COMPANHEIRA
DE QUEM NÃO TEM COMPANHIA”.
(Dedico, "in memoriam", à Dona Neide mãe do Poeta Rangel Júnior)
Campina Grande, julho de 2009.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
terça-feira, 14 de abril de 2009
AMARGURA
Hoje passa faceira na calçada
A mulher que já foi tempos de outrora
Minha doce paixão, minha senhora,
Meu amor, minha amante e namorada.
Em que pensa ao passar? Talvez em nada...
Nada há que ela possa reviver?
Esquecer o que fomos, pode ser,
Posso até aceitar que disto esqueça,
Mas me dói vê-la baixar a cabeça...
Neste gesto, fingindo não me ver.
Campina Grande, 14 de abril de 2009.
A mulher que já foi tempos de outrora
Minha doce paixão, minha senhora,
Meu amor, minha amante e namorada.
Em que pensa ao passar? Talvez em nada...
Nada há que ela possa reviver?
Esquecer o que fomos, pode ser,
Posso até aceitar que disto esqueça,
Mas me dói vê-la baixar a cabeça...
Neste gesto, fingindo não me ver.
Campina Grande, 14 de abril de 2009.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
UMA DÉCIMA
Eu canto porque cantando
É que encanto a minha vida,
Dou uma contrapartida
A quem quer me ver chorando.
E pouco vou me lixando
Se a vida está boa ou ruim...
Vou de peito aberto assim
Pra forca, cantarolando,
Mesmo a corda me apertando
Vou cantando até o fim!
Campina Grande, abril de 2009.
É que encanto a minha vida,
Dou uma contrapartida
A quem quer me ver chorando.
E pouco vou me lixando
Se a vida está boa ou ruim...
Vou de peito aberto assim
Pra forca, cantarolando,
Mesmo a corda me apertando
Vou cantando até o fim!
Campina Grande, abril de 2009.
terça-feira, 31 de março de 2009
PÁSSARO FERIDO
Canário, que trila ardente
No galho da goiabeira,
A tua musa altaneira
Também trila de contente.
Os dois, juntinhos, somente
Tomam conta do festim.
Comigo já foi assim...
Hoje estou neste fadário:
A minha musa, canário,
Não quer mais cantar pra mim.
Vivo cantando sozinho
Sem escutar sua voz,
Pois quis o destino atroz
Que ela abandonasse o ninho.
Me responda, canarinho:
Aonde foi que eu errei?
Será que desafinei
No meu canto desvairado
Tanto assim, que perdoado
Por ela eu não mais serei?
Será que o meu pecado
Por menor que parecesse
Foi tanto que eu merecesse
Por ela ser desprezado?
Será que meu malfadado
Destino é viver sem ela?
Tomara que esta procela
Não vigore e tenha fim!
Fica penoso pra mim
Ter que cantar longe dela.
Me diga onde agora voa
Tão faceira, tão frajola.
Pois pra prendê-la em gaiola
Não existe uma pessoa.
Você, que vagueia à toa
Singrando esses céus a fora
Lhe implore que volte agora
Pois, se já cantei errado,
Fiquei mais desafinado
Depois que ela foi embora.
Tu que cantas nas alturas
Com pureza e sem desdém,
Com a grandeza de quem
Ignora partituras,
Vê se abranda as amarguras
Por que passa o trovador.
Ide à busca, por favor,
Porque sem ela, a dueto,
Me sinto igual assum preto:
Cego e cantando de dor!
Por isto, meu amiguinho,
Peço pela última vez:
Desfaça o que ela me fez,
Não queira me ver sozinho.
Tome o mais breve caminho
Voando ou cortando a mata,
Vá pedir àquela ingrata
Que do orgulho se solte,
Esqueça as mágoas e volte
Senão essa dor me mata...
Campina Grande, 31 de março de 2009.
No galho da goiabeira,
A tua musa altaneira
Também trila de contente.
Os dois, juntinhos, somente
Tomam conta do festim.
Comigo já foi assim...
Hoje estou neste fadário:
A minha musa, canário,
Não quer mais cantar pra mim.
Vivo cantando sozinho
Sem escutar sua voz,
Pois quis o destino atroz
Que ela abandonasse o ninho.
Me responda, canarinho:
Aonde foi que eu errei?
Será que desafinei
No meu canto desvairado
Tanto assim, que perdoado
Por ela eu não mais serei?
Será que o meu pecado
Por menor que parecesse
Foi tanto que eu merecesse
Por ela ser desprezado?
Será que meu malfadado
Destino é viver sem ela?
Tomara que esta procela
Não vigore e tenha fim!
Fica penoso pra mim
Ter que cantar longe dela.
Me diga onde agora voa
Tão faceira, tão frajola.
Pois pra prendê-la em gaiola
Não existe uma pessoa.
Você, que vagueia à toa
Singrando esses céus a fora
Lhe implore que volte agora
Pois, se já cantei errado,
Fiquei mais desafinado
Depois que ela foi embora.
Tu que cantas nas alturas
Com pureza e sem desdém,
Com a grandeza de quem
Ignora partituras,
Vê se abranda as amarguras
Por que passa o trovador.
Ide à busca, por favor,
Porque sem ela, a dueto,
Me sinto igual assum preto:
Cego e cantando de dor!
Por isto, meu amiguinho,
Peço pela última vez:
Desfaça o que ela me fez,
Não queira me ver sozinho.
Tome o mais breve caminho
Voando ou cortando a mata,
Vá pedir àquela ingrata
Que do orgulho se solte,
Esqueça as mágoas e volte
Senão essa dor me mata...
Campina Grande, 31 de março de 2009.
domingo, 22 de março de 2009
DO NADA PARA O ETERNO
Para uma musa que verseja...
Outra vez desligaste o celular...
E um silêncio gritante me fulmina!
Eu me flagro a sair sem disciplina,
Como um louco na rua a te buscar.
Mais um trailer, um boteco, mais um bar...
E a certeza cruel se descortina:
Não existe nas ruas de Campina
Mais um ponto onde eu possa te encontrar...
Se te escondes de mim, não tens motivo!
É, querer sepultar-me ainda vivo,
Sepultar-se também, inconsciente...
Seguiremos, por fim, a mesma meta!
Se não sabes, a sina do poeta
É morrer pra viver eternamente!
Campina Grande, 20 de março de 2009.
Outra vez desligaste o celular...
E um silêncio gritante me fulmina!
Eu me flagro a sair sem disciplina,
Como um louco na rua a te buscar.
Mais um trailer, um boteco, mais um bar...
E a certeza cruel se descortina:
Não existe nas ruas de Campina
Mais um ponto onde eu possa te encontrar...
Se te escondes de mim, não tens motivo!
É, querer sepultar-me ainda vivo,
Sepultar-se também, inconsciente...
Seguiremos, por fim, a mesma meta!
Se não sabes, a sina do poeta
É morrer pra viver eternamente!
Campina Grande, 20 de março de 2009.
sexta-feira, 6 de março de 2009
SÓ DEUS SABE O QUE EU SINTO / QUANDO A VEJO DOENTE!
(À minha Musa – quando numa “enfermidade”)
Vê-la sorrindo e cantando,
Como comumente a vejo,
É vê na vida um lampejo
Que vai se proliferando,
E segue contaminando
A quem estiver presente.
Mas vendo-a assim, descontente,
Dói-me n’alma e no instinto.
SÓ DEUS SABE O QUE EU SINTO
QUANDO A VEJO DOENTE!
Seu humor contagiante,
Sua altivez, sua graça,
Seu jeito de boa-praça,
Seu fervoroso semblante;
Seu otimismo constante,
Seu sorriso incontinente,
Não podem ser diferente
Porque, pra lhe ser sucinto,
SÓ DEUS SABE O QUE EU SINTO
QUANDO A VEJO DOENTE!
Quem dera, meu Deus, que um mal
Nunca lhe acontecesse;
Que nunca empalidecesse
Sua face angelical.
Violando o natural
Que Deus pintou, certamente,
E, de gosto, um riso ausente
Nem Ele pinta ou eu pinto.
SÓ DEUS SABE O QUE EU SINTO
QUANDO A VEJO DOENTE!
Também sei que a “enfermidade”
Pela qual está passando
É bem menor do que quando
Alguém lhe nega a verdade.
Se a contrariedade
É pra você deprimente,
Prometo: daqui pra frente
Nem a pedido eu lhe minto!
SÓ DEUS SABE O QUE EU SINTO
QUANDO A VEJO DOENTE!
Se lhe dei algum motivo
Para abrir seu apetite,
Faço-lhe agora um convite
Em forma de lenitivo:
Vamos escutar “ao vivo”
Um cantador de REPENTE,
Naquele lugar da gente,
Tomando um bom vinho-tinto.
SÓ DEUS SABE O QUE EU SINTO
QUANDO A VEJO DOENTE!
Campina Grande, 05 de março de 2009
Vê-la sorrindo e cantando,
Como comumente a vejo,
É vê na vida um lampejo
Que vai se proliferando,
E segue contaminando
A quem estiver presente.
Mas vendo-a assim, descontente,
Dói-me n’alma e no instinto.
SÓ DEUS SABE O QUE EU SINTO
QUANDO A VEJO DOENTE!
Seu humor contagiante,
Sua altivez, sua graça,
Seu jeito de boa-praça,
Seu fervoroso semblante;
Seu otimismo constante,
Seu sorriso incontinente,
Não podem ser diferente
Porque, pra lhe ser sucinto,
SÓ DEUS SABE O QUE EU SINTO
QUANDO A VEJO DOENTE!
Quem dera, meu Deus, que um mal
Nunca lhe acontecesse;
Que nunca empalidecesse
Sua face angelical.
Violando o natural
Que Deus pintou, certamente,
E, de gosto, um riso ausente
Nem Ele pinta ou eu pinto.
SÓ DEUS SABE O QUE EU SINTO
QUANDO A VEJO DOENTE!
Também sei que a “enfermidade”
Pela qual está passando
É bem menor do que quando
Alguém lhe nega a verdade.
Se a contrariedade
É pra você deprimente,
Prometo: daqui pra frente
Nem a pedido eu lhe minto!
SÓ DEUS SABE O QUE EU SINTO
QUANDO A VEJO DOENTE!
Se lhe dei algum motivo
Para abrir seu apetite,
Faço-lhe agora um convite
Em forma de lenitivo:
Vamos escutar “ao vivo”
Um cantador de REPENTE,
Naquele lugar da gente,
Tomando um bom vinho-tinto.
SÓ DEUS SABE O QUE EU SINTO
QUANDO A VEJO DOENTE!
Campina Grande, 05 de março de 2009
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
MEU GRANDE AMIGO JOSÉ
Carta a "Zé de Lenita" no Iraque - 1985
Visitei, no mês “trasado”
O velho Sítio Degredo
E senti que tinha errado
Por não ter ido mais cedo.
Não sei se já estás sabendo
Mas Degredo está chovendo
Água, ouro e alegria
E, enquanto eu não me esqueço,
José, o teu endereço
Peguei com Antonio e Titia.
Resolvi dar-te umas linhas
Já que aí estás sozinho,
Para dar notícias minhas,
Da família e de Brejinho.
Eu já ando em outros trilhos,
Já sou “papai” de dois filhos:
Um já anda, o outro não;
Antonio tem uma menina,
Mora aqui mesmo, em Campina,
Mas vai sempre ao sertão.
Vão bem aqui mãe e pai
Vivendo como Deus quer;
O “Mite”, no Rio, vai
Muito bem com a mulher.
Ana, Artemízia, Altair,
Arlete, Adjayr,
Albânia e Nenê - em paz,
E as famílias lá por fora
Vão bem, porque até agora
Não nos reclamaram mais.
Em Degredo, ano passado,
Todo mundo lucrou bem:
Deu pro gasto, deu pro gado.
E deu pra vender também.
Não secou mais um açude,
O gado tem mais saúde,
Com mais água e mais comida;
Este ano começou
Bem, como o que se passou:
Já tem lavoura crescida.
Você precisa voltar
A viver conosco aqui;
Rever a mulher mandar
Nos troços de Valdemir;
Bastião mijar na cama,
Zé Delfino e sua fama,
Cherito e sua cachaça:
Com a cara cínica, sorrindo,
Encher o “talo” em Arlindo,
E chorar roendo na praça.
Você precisa voltar
A viver conosco aqui,
Vê Antonio Gago jogar,
Vê os versos de Zizi;
Matar a velha saudade
Em Placa de Piedade,
No jogo de futebol.
O gelo não dá saúde,
Venha pra beira do açude
Pras velhas manhãs de sol!
Você precisa voltar
A viver conosco aqui,
Pra comer o mungunzá
Com tripa, bucho, e sair...
Ir lá, na mina de ouro,
Ver a casaca-de-couro
Cantar nas manhãs de sol.
Pra ver as flores se abrindo,
Parecendo estar sorrindo
Ao canto do rouxinol.
Você precisa voltar
As viver conosco aqui,
Ir ao baixio e chupar
Uma manga bacuri.
Chupar uma cana fria
E às dez horas do dia
Voltar pra casa, sem pressa,
Assar carne sem enfeite,
Comer com cuscuz com leite
E sentir que a vida é essa.
Você precisa voltar
A viver conosco aqui,
Mandar a mulher passar
Ferro na roupa e sair;
Andar até a cidade
E sentir quanta amizade
Ali deixaste plantada,
“Tomar uma” com rolinha,
Voltar pra casa à tardinha
Pra jantar com a filharada.
Aqui vou deixar, José,
As lembranças de um parente.
Peço-lhe: assim que puder
Venha visitar a gente.
Mas, escreva mesmo assim;
Se lembre sempre de mim,
Valdemir, Antonio e Zito.
Do mesmo jeito aqui faço.
Nada mais. Um forte abraço!
ALFRÂNIO GOMES DE BRITO.
Campina Grande – fevereiro de l985.
Visitei, no mês “trasado”
O velho Sítio Degredo
E senti que tinha errado
Por não ter ido mais cedo.
Não sei se já estás sabendo
Mas Degredo está chovendo
Água, ouro e alegria
E, enquanto eu não me esqueço,
José, o teu endereço
Peguei com Antonio e Titia.
Resolvi dar-te umas linhas
Já que aí estás sozinho,
Para dar notícias minhas,
Da família e de Brejinho.
Eu já ando em outros trilhos,
Já sou “papai” de dois filhos:
Um já anda, o outro não;
Antonio tem uma menina,
Mora aqui mesmo, em Campina,
Mas vai sempre ao sertão.
Vão bem aqui mãe e pai
Vivendo como Deus quer;
O “Mite”, no Rio, vai
Muito bem com a mulher.
Ana, Artemízia, Altair,
Arlete, Adjayr,
Albânia e Nenê - em paz,
E as famílias lá por fora
Vão bem, porque até agora
Não nos reclamaram mais.
Em Degredo, ano passado,
Todo mundo lucrou bem:
Deu pro gasto, deu pro gado.
E deu pra vender também.
Não secou mais um açude,
O gado tem mais saúde,
Com mais água e mais comida;
Este ano começou
Bem, como o que se passou:
Já tem lavoura crescida.
Você precisa voltar
A viver conosco aqui;
Rever a mulher mandar
Nos troços de Valdemir;
Bastião mijar na cama,
Zé Delfino e sua fama,
Cherito e sua cachaça:
Com a cara cínica, sorrindo,
Encher o “talo” em Arlindo,
E chorar roendo na praça.
Você precisa voltar
A viver conosco aqui,
Vê Antonio Gago jogar,
Vê os versos de Zizi;
Matar a velha saudade
Em Placa de Piedade,
No jogo de futebol.
O gelo não dá saúde,
Venha pra beira do açude
Pras velhas manhãs de sol!
Você precisa voltar
A viver conosco aqui,
Pra comer o mungunzá
Com tripa, bucho, e sair...
Ir lá, na mina de ouro,
Ver a casaca-de-couro
Cantar nas manhãs de sol.
Pra ver as flores se abrindo,
Parecendo estar sorrindo
Ao canto do rouxinol.
Você precisa voltar
As viver conosco aqui,
Ir ao baixio e chupar
Uma manga bacuri.
Chupar uma cana fria
E às dez horas do dia
Voltar pra casa, sem pressa,
Assar carne sem enfeite,
Comer com cuscuz com leite
E sentir que a vida é essa.
Você precisa voltar
A viver conosco aqui,
Mandar a mulher passar
Ferro na roupa e sair;
Andar até a cidade
E sentir quanta amizade
Ali deixaste plantada,
“Tomar uma” com rolinha,
Voltar pra casa à tardinha
Pra jantar com a filharada.
Aqui vou deixar, José,
As lembranças de um parente.
Peço-lhe: assim que puder
Venha visitar a gente.
Mas, escreva mesmo assim;
Se lembre sempre de mim,
Valdemir, Antonio e Zito.
Do mesmo jeito aqui faço.
Nada mais. Um forte abraço!
ALFRÂNIO GOMES DE BRITO.
Campina Grande – fevereiro de l985.
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