sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

MEU GRANDE AMIGO JOSÉ

Carta a "Zé de Lenita" no Iraque - 1985


Visitei, no mês “trasado”
O velho Sítio Degredo
E senti que tinha errado
Por não ter ido mais cedo.
Não sei se já estás sabendo
Mas Degredo está chovendo
Água, ouro e alegria
E, enquanto eu não me esqueço,
José, o teu endereço
Peguei com Antonio e Titia.

Resolvi dar-te umas linhas
Já que aí estás sozinho,
Para dar notícias minhas,
Da família e de Brejinho.
Eu já ando em outros trilhos,
Já sou “papai” de dois filhos:
Um já anda, o outro não;
Antonio tem uma menina,
Mora aqui mesmo, em Campina,
Mas vai sempre ao sertão.

Vão bem aqui mãe e pai
Vivendo como Deus quer;
O “Mite”, no Rio, vai
Muito bem com a mulher.
Ana, Artemízia, Altair,
Arlete, Adjayr,
Albânia e Nenê - em paz,
E as famílias lá por fora
Vão bem, porque até agora
Não nos reclamaram mais.

Em Degredo, ano passado,
Todo mundo lucrou bem:
Deu pro gasto, deu pro gado.
E deu pra vender também.
Não secou mais um açude,
O gado tem mais saúde,
Com mais água e mais comida;
Este ano começou
Bem, como o que se passou:
Já tem lavoura crescida.

Você precisa voltar
A viver conosco aqui;
Rever a mulher mandar
Nos troços de Valdemir;
Bastião mijar na cama,
Zé Delfino e sua fama,
Cherito e sua cachaça:
Com a cara cínica, sorrindo,
Encher o “talo” em Arlindo,
E chorar roendo na praça.

Você precisa voltar
A viver conosco aqui,
Vê Antonio Gago jogar,
Vê os versos de Zizi;
Matar a velha saudade
Em Placa de Piedade,
No jogo de futebol.
O gelo não dá saúde,
Venha pra beira do açude
Pras velhas manhãs de sol!

Você precisa voltar
A viver conosco aqui,
Pra comer o mungunzá
Com tripa, bucho, e sair...
Ir lá, na mina de ouro,
Ver a casaca-de-couro
Cantar nas manhãs de sol.
Pra ver as flores se abrindo,
Parecendo estar sorrindo
Ao canto do rouxinol.

Você precisa voltar
As viver conosco aqui,
Ir ao baixio e chupar
Uma manga bacuri.
Chupar uma cana fria
E às dez horas do dia
Voltar pra casa, sem pressa,
Assar carne sem enfeite,
Comer com cuscuz com leite
E sentir que a vida é essa.

Você precisa voltar
A viver conosco aqui,
Mandar a mulher passar
Ferro na roupa e sair;
Andar até a cidade
E sentir quanta amizade
Ali deixaste plantada,
“Tomar uma” com rolinha,
Voltar pra casa à tardinha
Pra jantar com a filharada.

Aqui vou deixar, José,
As lembranças de um parente.
Peço-lhe: assim que puder
Venha visitar a gente.
Mas, escreva mesmo assim;
Se lembre sempre de mim,
Valdemir, Antonio e Zito.
Do mesmo jeito aqui faço.
Nada mais. Um forte abraço!
ALFRÂNIO GOMES DE BRITO.

Campina Grande – fevereiro de l985.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

FRUSTRAÇÃO

Nunca mais baterei à tua porta
Mendigando a esmola de um carinho.
Sei que é triste demais viver sozinho,
Mas a busca perdida não conforta.

O meu peito cansou, não mais suporta
Ver minh’alma ultrajada, em desalinho.
Possa ser que algum dia em meu caminho
Ressuscite essa chama, agora morta.

Vou buscar no primor da doce lira
Esquecer teu amor, essa mentira
Encravada em meus sonhos submersos.

Preservando os meus dotes naturais:
É melhor que não voltes nunca mais,
Só assim poderei compor meus versos

Campina Grande, novembro de 2008.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Meu coração recheado
De tristezas e amarguras
Passando "em claro" as escuras
Noites, doutro separado.
Pediu somente um agrado
A quem disse um triste “não”
Lhe deixando a decisão
De não mais daqui pra frente
Procurar, incontinente,
Resgatar seu coração.

Campina Grande, outubro de 2008.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Coisas da vida...

Meu amigo fiel, meu companheiro
De andanças constantes e acirradas
Bebedeiras, rompendo as madrugadas
- Quando até me servias de escudeiro.

Protegias a mim e ao meu dinheiro
Garantindo o sucesso das noitadas
De canções e poesias, recheadas.
- Meu amigo constante e verdadeiro!

Mas um dia eu tombei “sem um vintém”,
Procurei ao redor, não vi ninguém.
Solitário, chorei a tua falta...

Eu nem ouso pensar que me enganavas...
Mas, amigo, onde é que tu estavas
Quando as luzes fugiram da ribalta?


Campina Grande,outubro de 2008.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

QUANTAS VEZES SAÍ PRA DIZER NÃO / E A CORAGEM FALTANDO EU DISSE SIM.

Quantas vezes armei-me de razões
E propus a mim mesmo: hoje é o dia!
Vou dizer-lhe o que jamais lhe diria
Pra cortar-nos de vez as relações.
Nessas vezes pensei que as emoções
Já não tinham mais brilho para mim.
Mas teu brilho era intenso, e nele, enfim
Renovava outra vez meu coração.
QUANTAS VEZES SAÍ PRA DIZER NÃO
E A CORAGEM FALTANDO EU DISSE SIM.

Campina Grande, outubro de 2008

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

NO BAR












Um papo descontraído,

Um verso vai outro vem,

Não se rejeita ninguém,

Chegando, é bem recebido.

Quem nunca tenha bebido

Pode mudar de destino.

Só não venha "bater pino"

Quando souber da despesa

Mas, seja bem-vindo à mesa:

ALFRÂNIO E ZÉ LAURENTINO


Campina Grande, outubro de 2008.


segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Revolta

Vens aqui e vais levando
Cacarecos que compraste,
Sem lembrar o que levaste
Quando estivemos amando.
Pediste emprestado quando
Prendeste em teu ambiente
Mas, definitivamente
Prende o que é teu: o meu, solta!
Traz meu coração de volta
Preciso amar novamente.


Campinas Grande, agosto de 2008.